Neste artigo
- O que é reajuste de preço, e quando ele é necessário?
- Como calcular o reajuste de preço?
- Quantos clientes posso perder com o reajuste?
- Como reajustar preço sem perder cliente: passo a passo
- Modelos de comunicado de reajuste de preço aos clientes
- O que diz a lei sobre reajuste de preço?
- E a reforma tributária, muda o preço em 2027?
- Quais erros evitar no reajuste de preço?
Resposta direta: reajuste de preço é a atualização do valor cobrado para recompor custos e margem. Para fazer sem perder cliente, calcule quanto a margem caiu, descubra quantas vendas você pode perder sem sair no prejuízo, reajuste de forma escalonada, avise com antecedência e explique o motivo em poucas linhas. Quem tem margem apertada é quem mais ganha com um reajuste bem feito.
Todo dono de pequena empresa conhece o roteiro. O fornecedor manda a tabela nova, a conta de luz vem mais alta, o aluguel corrige no aniversário do contrato, e o preço na vitrine continua o mesmo de um ano atrás. A venda segue igual, o caixa não. O medo de perder cliente faz muita gente segurar o preço até o lucro sumir, e aí o reajuste vem de uma vez, grande e mal explicado, que é justamente o que espanta o cliente.
O cenário pede atenção: o IPCA subiu 0,82% em setembro de 2026 e chegou a 4,58% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação, segundo o IBGE. Se seus custos acompanharam esse ritmo e seus preços não, sua margem encolheu sem você mexer em nada. Este texto faz parte da série Desafios de 2027, que já tratou da CBS e do fim do PIS/Cofins, do split payment, dos prazos do Simples em 2027 e do capital de giro com juros altos. Agora o assunto é preço.
O que é reajuste de preço, e quando ele é necessário?
Reajuste é a atualização do preço para acompanhar o aumento dos custos. Não é a mesma coisa que aumentar preço por oportunidade. Ele é necessário quando a margem de contribuição de um produto ou serviço caiu, ou seja, quando sobra menos de cada venda para pagar as despesas fixas e gerar lucro.
Três sinais de que passou da hora:
- O faturamento é o mesmo, mas o caixa do fim do mês diminuiu. Custo subiu e preço ficou parado.
- O último reajuste foi há mais de 12 meses. Com inflação na casa de 4% a 5% ao ano, um ano sem mexer já corrói parte relevante da margem.
- Seu markup foi calculado com custos antigos. Se a planilha de preço usa a nota do fornecedor de seis meses atrás, o preço está errado hoje.
Como calcular o reajuste de preço?
O erro mais comum é aplicar a inflação sobre o preço e pronto. O certo é partir do custo. E há um detalhe que pega muita gente: imposto do Simples e taxa da maquininha são cobrados sobre o preço de venda. Quando o preço sobe, eles sobem junto. Por isso o reajuste precisa ser um pouco maior que o aumento do custo.
Veja o caso de uma confeitaria em Curitiba, com números ilustrativos. Ela vende 1.200 bolos no pote por mês, a R$ 25 cada. Ingredientes e embalagem custavam R$ 12,00 por unidade, e imposto do Simples somado à taxa de cartão dá cerca de 12% do preço. Os ingredientes subiram R$ 1,50.
| Item por unidade | Antes | Depois do aumento de custo | Com reajuste para R$ 26,90 |
|---|---|---|---|
| Preço de venda | R$ 25,00 | R$ 25,00 | R$ 26,90 |
| Ingredientes e embalagem | R$ 12,00 | R$ 13,50 | R$ 13,50 |
| Imposto e cartão (12% do preço) | R$ 3,00 | R$ 3,00 | R$ 3,23 |
| Margem de contribuição | R$ 10,00 (40%) | R$ 8,50 (34%) | R$ 10,17 (37,8%) |
| Margem no mês (1.200 unidades) | R$ 12.000 | R$ 10.200 | R$ 12.206 |
Sem reajustar, a confeitaria perde R$ 1.800 por mês, R$ 21.600 em um ano. Para voltar a ganhar R$ 10 por bolo, a conta é: preço = (custo em reais + margem desejada) ÷ (1 − percentual sobre o preço). Ou seja, (13,50 + 10) ÷ 0,88 = R$ 26,70. Arredondando para R$ 26,90, o reajuste é de 7,6%, mais que os 6% que o aumento dos ingredientes sugeria à primeira vista.
Para fazer essa conta com os seus números, use a calculadora de markup e a calculadora de margem de contribuição do portal.
Quantos clientes posso perder com o reajuste?
Essa é a pergunta que tira o sono, e ela tem resposta matemática. No exemplo, sem reajuste a confeitaria fatura R$ 10.200 de margem com 1.200 bolos. Com o preço novo, cada bolo deixa R$ 10,17. Para empatar com os R$ 10.200, basta vender cerca de 1.003 unidades. Ela pode perder até 16% do volume e ainda assim estar melhor do que se não tivesse reajustado. Na prática, um aumento de R$ 1,90 raramente derruba as vendas tanto assim.
A regra geral, quando o custo por unidade não muda, é: perda de vendas tolerável = aumento ÷ (margem de contribuição + aumento), tudo em percentual do preço.
| Margem de contribuição atual | Reajuste de 5% | Reajuste de 10% |
|---|---|---|
| 20% | pode perder até 20% das vendas | pode perder até 33% das vendas |
| 30% | pode perder até 14% das vendas | pode perder até 25% das vendas |
| 40% | pode perder até 11% das vendas | pode perder até 20% das vendas |
Repare no que a tabela mostra: quanto menor a margem, maior a folga para reajustar. Quem trabalha com margem apertada costuma ter mais medo de subir preço, e é justamente quem mais ganha com isso. A lógica inversa vale para desconto: com margem de 30%, dar 10% de desconto exige vender 50% a mais só para manter o mesmo resultado.
Como reajustar preço sem perder cliente: passo a passo
- Separe os produtos por margem. Reajuste primeiro os que mais perderam margem. Não precisa subir tudo igual.
- Proteja o produto de entrada. O item que o cliente usa para comparar preço com o concorrente (o café, o corte simples, o produto mais buscado) pode subir menos. Compense nos itens complementares e nos serviços, em que a comparação é menor.
- Prefira reajustes menores e regulares. Dois reajustes de 4% assustam menos que um de 8% depois de dois anos parado. Defina uma data fixa no ano e avise que ela existe.
- Entregue algo junto, quando der. Uma embalagem melhor, um prazo de entrega menor, um atendimento mais rápido. O cliente aceita melhor o preço novo quando percebe valor novo.
- Avise com antecedência e explique em uma frase. Quem descobre o aumento no caixa se sente enganado. Quem foi avisado com duas ou três semanas tem tempo de se acostumar e, às vezes, antecipa a compra.
- Treine a equipe. Quem atende precisa saber explicar o motivo com segurança, sem pedir desculpa. Hesitação no balcão vira pedido de desconto.
- Acompanhe por 60 dias. Compare volume, ticket médio e margem antes e depois. Se a queda de vendas ficou abaixo do limite da tabela, o reajuste deu certo.
Se a sua base de clientes está espalhada em planilhas e conversas de WhatsApp, vale organizar antes de comunicar. Ferramentas de e-mail marketing, como o RD Station Marketing, permitem separar clientes por frequência e valor de compra e enviar o aviso no tom certo para cada grupo, em vez de um disparo genérico para todo mundo.
Modelos de comunicado de reajuste de preço aos clientes
Um bom aviso tem quatro partes: o que muda, a partir de quando, por que, e um agradecimento. Sem drama e sem justificativa longa. Adapte os textos abaixo ao seu negócio.
Mensagem curta para WhatsApp (salão, manicure, barbearia, confeitaria):
Oi, [nome]! Passando para avisar com antecedência: a partir de [data], nossos preços terão um reajuste de [x]%. Os custos de materiais subiram ao longo do ano e queremos manter a mesma qualidade que você já conhece. Até lá, os valores atuais continuam valendo, inclusive para agendamentos já marcados. Obrigada pela confiança de sempre!
E-mail para clientes de loja ou serviço recorrente:
Assunto: Atualização de preços a partir de [data]
Olá, [nome]. Nos últimos 12 meses, os custos de [insumos, frete, energia] subiram de forma consistente. Seguramos nossos preços o quanto foi possível, mas, para continuar entregando [o seu diferencial], vamos aplicar um reajuste médio de [x]% a partir de [data]. Pedidos feitos até [data] seguem com os valores atuais. Qualquer dúvida, é só responder este e-mail. Obrigado por estar com a gente.
Comunicado para cliente empresa (contrato B2B):
Prezado(a) [nome], conforme a cláusula [número] do nosso contrato, informamos que os valores serão reajustados pelo [índice previsto, como IPCA ou IGP-M] acumulado nos últimos 12 meses, de [x]%, a partir de [data de aniversário do contrato]. Segue em anexo a memória de cálculo. Permanecemos à disposição.
O que diz a lei sobre reajuste de preço?
No Brasil, o preço é livre na maior parte dos mercados. Mas há três pontos que o empresário precisa conhecer:
- Aumento sem justa causa é prática abusiva. O artigo 39, inciso X, do Código de Defesa do Consumidor proíbe "elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços". Repassar alta de custo é justa causa. Guarde as notas dos fornecedores e a planilha de cálculo: se houver reclamação no Procon, é isso que demonstra o motivo.
- Em contratos, vale o que foi combinado. Pela Lei 10.192/2001, reajuste por índice de preços é admitido em contratos com prazo igual ou superior a um ano, e é nula qualquer cláusula de reajuste com periodicidade inferior a um ano. Se você presta serviço mensal com contrato, siga a cláusula e a data de aniversário.
- Preço exposto tem que estar atualizado. A Lei 10.962/2004 determina que, se houver preços diferentes para o mesmo produto nos meios de informação da loja, o consumidor paga o menor. Atualize etiquetas, cardápio, site e sistema no mesmo dia.
E a reforma tributária, muda o preço em 2027?
Para empresas fora do Simples, sim, e vale se preparar já. A partir de janeiro de 2027, a CBS substitui o PIS e a Cofins, com cálculo "por fora" e direito a crédito sobre as compras. Isso muda a forma de montar o preço e a comparação com o concorrente. O detalhe está no nosso guia sobre a CBS em 2027. Para quem está no Simples, a escolha de recolher ou não a CBS por fora também afeta o preço que o cliente empresa aceita pagar, tema do texto sobre as opções do Simples em 2027. Revisar a tabela agora, com os custos atualizados, deixa a empresa pronta para fazer o ajuste tributário sem acumular dois reajustes de uma vez.
Quais erros evitar no reajuste de preço?
- Esperar demais. Quanto mais tempo parado, maior o salto e maior a chance de o cliente estranhar.
- Reajustar tudo pelo mesmo percentual. Cada produto perdeu margem de um jeito. Olhe item por item.
- Esquecer que imposto e taxa de cartão crescem com o preço. Repassar só o aumento do custo deixa a margem menor do que antes.
- Pedir desculpa demais no comunicado. Explicação longa soa como culpa e convida à negociação.
- Dar desconto para quem reclama, no impulso. Se for oferecer condição especial, defina antes para quem e por quanto tempo.
- Não medir o resultado. Sem comparar margem e volume antes e depois, você não sabe se acertou e repete o medo no próximo ano.
Reajustar preço não é falta de consideração com o cliente. É o que garante que a empresa continue existindo para atendê-lo no ano que vem. Com a conta feita e um aviso honesto, a maioria dos clientes fica, e a margem volta para onde deveria estar.
Em breve: simulador de quanto sua empresa vai pagar em 2027. Estamos construindo uma calculadora para comparar o que você paga hoje com o que vai pagar com a CBS e o efeito no seu preço. Entre na lista da newsletter e receba primeiro.
Conteúdo educativo, atualizado com as informações disponíveis em 5 de novembro de 2026. Os exemplos são ilustrativos, e a fórmula de perda tolerável considera custo por unidade constante. Em contratos e situações específicas, confirme com seu contador ou advogado. Como produzimos nossos conteúdos.
Perguntas frequentes
Como calcular o reajuste de preço de um produto?
Parta do custo, não da inflação. Some o custo em reais por unidade à margem que você quer manter e divida por 1 menos o percentual que incide sobre o preço (imposto do Simples e taxa de cartão). Exemplo: (R$ 13,50 + R$ 10,00) ÷ 0,88 = R$ 26,70.
Quantos clientes posso perder ao aumentar o preço?
Com custo por unidade constante, a perda de vendas tolerável é o aumento dividido pela soma da margem de contribuição com o aumento. Com margem de 30% e reajuste de 10%, você pode perder até 25% das vendas e manter o mesmo resultado.
Como avisar o cliente sobre o reajuste de preço?
Com antecedência de duas a três semanas, em poucas linhas: o que muda, a partir de quando, o motivo e um agradecimento. Mantenha os valores antigos para pedidos e agendamentos já feitos.
Reajuste de preço é aumento?
Na prática, sim: o preço sobe. A diferença é o motivo. Reajuste recompõe custos que subiram; aumento sem justa causa é considerado prática abusiva pelo artigo 39, inciso X, do Código de Defesa do Consumidor.
De quanto em quanto tempo posso reajustar o preço?
No varejo, não há prazo mínimo em lei, mas reajustes regulares e menores são mais bem aceitos. Em contratos, a Lei 10.192/2001 considera nula a cláusula de reajuste por índice com periodicidade inferior a um ano.
Qual índice usar para reajustar preço?
Para preço de produto, o melhor índice é o seu próprio custo. Em contratos de serviço, o mais comum é o IPCA, que acumulou 4,58% em 12 meses até setembro de 2026, ou o índice previsto na cláusula do contrato.
Fontes
- Rankia: IPCA sobe 0,82% em setembro de 2026 e acumula 4,58% em 12 meses (dados do IBGE)
- SBT News: inflação do Brasil sobe 0,82% em setembro, diz IBGE
- Lei nº 8.078/1990, Código de Defesa do Consumidor (Planalto)
- Idec: artigo 39 do CDC e a elevação de preço sem justa causa
- Lei nº 10.192/2001, redação atualizada (Câmara dos Deputados)
- Lei nº 10.962/2004, oferta e afixação de preços (Senado Federal)
- Lei Complementar nº 214/2025, IBS e CBS (Planalto)
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